sábado, 26 de abril de 2014

Padre e poeta. Ou padre-poeta.

Ele é um jovem padre. Seu viver é pautado pela fé e pelo amor. Fé no Deus a quem dedica a sua vida e amor ao irmão quando lhe leva a Palavra, o Corpo e o Sangue desse Deus. Pode também ser um escritor. Um compositor. Um poeta. Pode ser o que quiser. E sendo tudo isso não deixa de ser o que é em sua essência: um padre. A pessoa de Cristo. Em seu facebook textos lindíssimos, criados por seu olhar sensível que de tudo consegue extrair poesia, qualidade inata dos poetas.
Padre , muito obrigada por permitir-me dividir com os meus amigos, a sensibilidade que há em seus textos. Tenho certeza que muitos serão seduzidos e abençoados pela beleza e  santidade de suas palavras. 
Obrigada por emprestar-me a voz. A minha, algumas vezes, é silenciada por excesso de realidade.


Padre Paulo César Assis


“O silencio pairava noite afora: haveria lugar para algo mais além das lagrimas? Seria possível um detalhe, uma palavra, um sinal que tirasse o olhar da dor e o pusesse para além do que não podia/queria acreditar? Apesar dos tantos "por quês", a vida saberia ser mais? A noite escura percorria a vida toda na forma de pergunta-calada, engolida, indigesta: a Vida, por acaso, teria se calado?... O silêncio incômodo parecia a resposta plausível... As palavras engolidas, atropeladas pelo choro, teriam algo a dizer além do próprio som dramático?
E, assim, a noite se estendia, alargava o silêncio até fazer madrugada: aquela noite durou toda uma existência... O choro se desprendia do olhar e dava nome a cada coisa que ficou... Recordando os passos até o altar da dor o coração, aos poucos, foi entendendo outros sinais, outras formas que fazem o Amor permanecer: O Amor, ao contrário da dor, vive de recomeços; é o que faz recontar cada lágrima derramada com o sabor de 'tudo valeu a pena'... Assim, "recomeçado", o coração entendeu que a dor, inevitável, não deve roubar o gosto bom da Vida; soube, com vestes de páscoa, re-colher os sinais por onde a Vida, é-terna, se fez ao largo, modo rio quando descobre o mar...ou: "só o amor me ensina onde vou chegar"

O amor era explicado naquelas palavras que supunham um outrora e memorizado em risos de outros tempos... era dito com a densidade de quem se perdeu quando lembrou do vivido... o amor residia naquelas palavras demoradas, elasticamente subsistentes, mesmo quando não percebendo seus efeitos ou condicionamentos: o amor demora porque não se encontra nas explicações que o presente lembra e, re-sentido, sente a ausência de cada palavra e chora o não-haver de cada coisa que a memória sabe, ainda, existir...o amor é uma palavra construída nos lençóis de ausência, porque tudo do amor carece [um pouco de] distância..

 (Facebook: Paulo Cesar Assis)

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