sexta-feira, 27 de junho de 2014

Nem tente...

"Nas asas do tempo, a tristeza voa..."
                            La Fontaine


Às vezes, muitas vezes, me pego com olhar fixo no nada. Pensamento vazio, sem rumo nem objetivo, é como se me tele-transportasse para o inexistente. Acredito que seja em momentos como esse que deixamos a porta da alma aberta. E somos invadidos. Porque é nesses momentos que tenho, quando retorno, os pensamentos mais mirabolantes.
Li em algum lugar que a mulher pensa por metáforas. O homem por metonímias. Entendi mais ou menos assim: a mulher forma pensamentos, compondo quadros mentais que se montam em uma simbologia sem fim, como a arte. O homem, pragmático, quer princípio, meio e fim. Para que serve a minha descoberta? Para droga nenhuma. Mas é um meio de começar a observá-los melhor. Em silêncio.
Quero o silêncio para poder ver quem é quem. Fingir com palavras é fácil. Quero ver de perto os gestos, as expressões, a lágrima escondida, o tremor na voz. O olhar que encontra, fixa e desvia numa fração de segundos, mas tarde demais. O que vou fazer com tudo isso, não sei. Nada mais espero ou desejo e o futuro a Deus pertence. Eu ando triste demais para fazer planos. A vida não está merecendo ser levada tão a sério. Está repleta de sentimentos bipolares e gostos amargos.
Desisti de tentar decifrar o meu caos, portanto, nem tente.

Um comentário:

  1. Tu escreves muito bem, amiga... até para descrever a tristeza. E quanto poesia há em tuas palavras...
    O que direi eu? Não cabe nada, além de segurar a tua mão e sentir contigo. Agora a tristeza é nossa.

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