sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ser frágil. Ser forte.

"Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura."
                                                                                                                               Clarice Lispector


Já perdi a conta das vezes que entrei aqui tentando colocar palavras que traduzissem o que sinto e não consegui. Os grandes escritores, os poetas principalmente, têm uma enorme facilidade em descrever sentimentos. Eu não. Geralmente quando escrevo vulgarizo o que sinto e digo quase sempre o contrário do que quero dizer. Por isso quase sempre textos tão amargos. Não tenho o traquejo que queria ter com as palavras. Elas me traem sempre. Falam sempre o que querem e quase nunca o que ordeno. Mas olhando para trás percebo que os meus melhores textos foram aqueles escritos sob grande emoção.  Ódio ou amor. Dor ou alegria. Sempre em doses cavalares. Preciso disso para que saia alguma coisa que preste. Nada extraordinário porque, repito, não sou escritora. Apenas me atrevo a manter  este blog, para ter ao menos uma válvula de escape. Senão explodo. Senão implodo. Sou uma pessoa muito difícil, admito. E cheia de defeitos. Um deles é não saber esperar. Sou apressada, cheia de urgências. Falo pelos cotovelos. Sofro de véspera. Preciso de certezas. De prazos. De promessas. De sorrisos. De palavras. De carinho. De atenção. De gritos. De safanões. De broncas. De qualquer coisa que não seja a inércia, o silêncio, a indiferença. Queria muito ser diferente, juro! Ser menos ansiosa, menos emotiva, mais madura e tenho tentado. E depois de muito tempo tentando descubro que só há um jeito de conseguir. Um jeito radical e doloroso, mas pragmático. Perdão, mas não há outro jeito. Ali, “é impossível ser feliz sozinha”. Fora dali talvez seja possível. Cheguei à conclusão de que só estava lá para falar de mim a quem não queria ouvir. Não sei se estou fazendo a coisa certa, talvez esteja em mais uma fase de improváveis acertos e certeiros erros, quem sabe? Mas essa é a única coisa que nunca havia tentado. Se estiver errada, volto atrás. Não tenho o menor problema em fazer isso. Volto atrás e começo tudo de novo. Quem disse que tenho que acertar sempre?  Li em algum lugar que às vezes precisamos bagunçar para organizar. Então é isso: baguncei tudo. Tomara que consiga encontrar, no meio dessa bagunça toda, o que de bonito sobrou. Porque bonito era! A despeito de todas as dúvidas que tenho, disso não tenho a menor dúvida.

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