sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Se eu pudesse voltar no tempo...


Se eu tivesse o poder de fazer o tempo voltar, faria tudo diferente do que fiz. Como diz o poeta “trataria de correr menos riscos”. Seria mais prudente, menos curiosa.  Criaria juízo. Entenderia que toda paixão é efêmera por essência e aniquilaria todas as paixões. Evitaria olhar nos olhos. Conteria a imaginação, a louca e vil imaginação, e viveria apenas o provável, o possível, o óbvio. Podaria todas as asas que teimassem em nascer. Arrancaria pena a pena, sem pena.
Ah! Se eu pudesse voltar no tempo... Desacreditaria em sonhos. Os sonhos são perigosíssimos! Levam-nos aos lugares que queremos mas não ensinam como voltar. Evitaria os doces, os molhos picantes, o vinho, as carnes vermelhas, as massas. Abusaria das saladas, alimentos integrais, orgânicos, sucos verdes e tudo isso que, dizem, prolonga a vida.
Mentira!
Se eu pudesse voltar no tempo faria tudo igual. Não mudaria uma vírgula de lugar. Seria tão atrevida quanto fui. Choraria e faria chorar. Riria e faria gargalhar. Diria “eu te amo” quantas vezes tivesse vontade. Investiria tanto quanto possível em sonhos, todos eles, os loucos, ou vis, os insanos, os prováveis e os impossíveis. As asas se arrastariam pelo chão, e se cortassem, cultivaria outras maiores ainda. Imprudência seria minha cachaça diária. Juízo, não criaria. Se nem sei de que se alimenta! Quanto às paixões, o que é a vida sem elas? De que vale estar viva sem estar apaixonada pela vida? Se frutificaram ou não, é outra história.  Se fizeram rir ou chorar, não importa. Bom mesmo é erguer os braços, olhar o céu e gritar sem medo de errar: Meu Deus, como eu fui feliz!


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